sexta-feira | 15 - dezembro - 2017
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Ansiedade de um bonsaísta principiante

Quando nos deparamos com a paixão arrebatadora pelo Bonsai, não nos sai do pensamento a ideia fixa de possuir, criar, adquirir uma árvore, que seja ela: nova, velha, forte, fraca, diminuta ou grandiosa, mas em nossos olhos sempre e eternamente bela.

É o começo de uma relação intensa, na qual existe dependência e cumplicidade. Sucumbimos, então, aos meandros dessa paixão, perdemos o poder da análise pura e simples. O desejo, por vezes infantil da posse desenfreada nos cega, o sabor do querer sem limites nos embriaga, nos vemos cercados pela ansiedade que nos toma o corpo e a alma.

O que ocorre são os sintomas de uma primeira paixão: a falta de maturidade nos trai, a sensação do desejo nos envolve. Todos os sentidos afloram. Todos os controles se misturam. A todo esse aglomerado de fatos, chamo de “angustia de um dia”, pois, buscamos em um mesmo instante, ultrapassar, agrupar, obter todas as etapas da preparação de uma árvore, seja o plantio, a poda das raízes e dos galhos, o transplante, a aramação, a definição de um estilo, como se a natureza se preocupasse com a rigidez das formas, com uma triangulação perfeita. No entanto, o fundamental é a perpetuação da vida em sua essência e forma.

O resultado quando não estamos atentos ao caminho a seguir e simplesmente aglomeramos em um único momento todos os processos, por ser logicamente mais fácil, é por demais previsível. Não espere um belo bonsai em um lindo vaso, mas uma boa armação para a próxima árvore de natal. Por nossa precipitação de iniciante condenamos nossa “criação”. Devemos nos guiar por nossa intuição, cada passo deve ser seguido em seus detalhes, cada momento aproveitado em sua exaustão. Aprender com nossas observações e, principalmente, com nossos erros é a essência de nossa arte e a base de nossa vida.

Devemos conhecer os nossos ímpetos e os aproveitá-los, e sempre buscar a docilidade de um belo amor, partilhar os momentos, respeitar as limitações, aproveitar as minúcias e os sabores do tempo de espera, da semente à árvore formada. Devemos crescer com o nosso bonsai, adquirir a sabedoria da paciência, nos envolver inteiramente com a saborosa arte em constante e eterna mudança, transformar a ansiedade de um principiante no sublime prazer de ser uma grande família.

Sobre Bergson Vasconcelos

Arquiteto e Urbanista. Bergson Vasconcelos a mais de 20 anos é um dedicado praticante da Arte Bonsai. Proprietário da Oficina Bonsai, em Maceió/AL e da Oficina do Mel, especializada em abelhas nativas.

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