quinta-feira | 19 - outubro - 2017
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O preço de um bonsai

A variação de cifras leva os iniciantes a uma duvida frequente: o que determina o preço de um bonsai?

É possível comprar um bonsai por R$ 40,00, mas, ás vezes, R$ 2.000,00 são insuficientes para adquirir determinada planta, pois o bonsai é um tipo de arte e isso dificulta a tarefa de medir em dinheiro o seu valor.

O bonsaista Tomio Tomita, de Joinvile – SC, fala que no Brasil, em função da prática ser um tanto quanto recente, ainda não há critérios definidos para dar preço às arvores em bandejas. “No Japão, por exemplo, eles classificam as plantas de acordo com diversos fatores, como espécie, idade, estilo, mestre que a trabalhou e número de premiações”, conta. De acordo com a visão dele, o nome do artista responsável pelo trabalho é um importaqnte parâmetro para definir o preço no país. “As plantas do mestre Osamu Hidaka, de Atibaia – SP, por exemplo, costumam ser mais caras”.

bonsai mestre osamu hidaka

Mestre Osamu Hidaka, em Evento na Chacara Tropical

Eduardo Mizuno, bonsaista de Santo André – SP, conta que alguns colecionadores, muitas vezes, não querem se desfazer de um exemplar e, para dificultar a venda, atribuem a ele preços bastante elevados.

Rosane Todesco Longo, do Rio de Janeiro – RJ, que já presidiu a Sociedade Brasileira de Bonsai – SBBo, fala que a maioria dos bonsai são feitos para colecionadores. “Em geral, os exemplares comerciais tem autoria de bonsaístas de renome, mas que ainda não são mestres.

Embora, no Brasil, os parâmetros para atribuir preços não sejam uniformes, muitos bonsaístas se pautam pelos critérios difundidos no Japão. Aos já citados por Tomita, Rosane acrescenta o tipo de vaso, sendo que os Tokoname (cerâmica japonesa feita de argila vulcânica) são mais valorizados. Ela ainda faz uma ressalva: “muitos ceramistas nacionais estão alcançando amplo reconhecimento”.

Tomita revela que, no âmbito comercial, ele a frente de sua empresa se baseia na idade e na especia da planta. “Fazemos uma equiparação de preço em relação às plantas que importamos da China, país que tem com intermediário o comércio europeu. Assim, trabalhamos indiretamente em paralelo com a Europa, usando, como referência, especificamente a Espanha”. Em sua loja, Tomita comercializa plantas que podem ser vendidas a R$ 20,00 como as que atingem R$ 7.000,00.

Mizuno esclarece: “uma planta mais velha exigiu maior investimento em tempo e, consequentemente, em dinheiro. É natural que se cobre um preço mais alto por ela. “O bonsaísta também atenta para o fato de existirem espécies mais difíceis de serem trabalhadas, como o pinheiro-negro (Pinus thunbengii), que, segundo ele, pode levar 20 anos para apresentar os resultados pretendidos.

Outras características são usadas para determinar os valores de um bonsai. Rock Junior, de Nova Lima – MG, aponta mais cinco fatores: Nebari (junção das raízes com o tronco), Tachiagari (primeiro terço inferior do tronco), ausência de cicatrizes (causadas normalmente por cortes de galhos e aramações), distribuição dos galhos e saúde da planta. “Quanto mais radial e equilibradas forem as raízes, mais valorizado é o bonsai, pois tal aspecto se assemelha ao das árvores muito antigas”. O bonsaísta mineiro explica que a existência de movimentos e conicidade no primeiro terço inferior do tronco também dá mais valor ao exemplar.

bonsai rock jr terra bonsai

Rock Junior, em evento da Bonsai Sul

De acordo com Rock Júnior, bonsai mais valiosos possuem cicatrizes pouco evidentes, folhagens vivas, brotações vigorosas, produção de flores e frutos – se forem características da espécie – e distribuição harmônica de galhos. “Eles devem estar equilibrados, distribuídos de forma que haja massa verde em torno do tronco, gente, lateral e fundo”.

Matéria adaptada da Revista Como Cultivar Bonsai, da Editora Casa Dois, edição 05.

Sobre Bruno Medeiros

Praticante da arte bonsai desde a adolescência, aprimorou sua dedicação pela arte após sua graduação em Ciências Biológicas e posterior especialização em Artes Visuais. Foi Presidente Fundador da Associação Bonsai Mato Grosso, em Cuiabá/MT. Atualmente reside em São José do Rio Preto/SP, sendo Diretor da Associação Bonsai Clube Rio Preto.

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