sexta-feira | 15 - dezembro - 2017
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Tokonoma 床の間 とこのま

Bem, este artigo seria diminuído e sintetizado, porém achei que se o colocasse de forma literal seria bem mais interessante, me foi doado para exibição pelo amigo bonsaísta Luiz Fernando, também conhecido pelos bonsaístas como Nickyfury, obrigado amigo.

Bem, vamos ao texto!

Para entendermos o que é um Tokonoma, é preciso analisar um pouco da cultura e da história antiga japonesa. Sem esse conhecimento, fica difícil para nós ocidentais, entendermos a razão de ter um cômodo em separado, numa sala de uma casa japonesa tradicional ou não, onde ninguém possa sentar-se ou fazer qualquer outra atividade:

Trata-se de um espaço reservado, denominado “alcova”, restrito a uma determinada área de uma sala ou salão, dentro de uma casa japonesa tradicional, ou então num salão específico de um dos inúmeros Castelos existentes naquele país. Ficava adstrito à sala de visitas principal, ou salão oficial, considerando o tamanho das residências feudais japonesas da época. Essa Alcova tem sua origem registrada provavelmente na era Nanbokucho (1.185 a 1.392), um dos diversos períodos da história japonesa, que abarcou de 1.336 até 1.392, nos primeiros anos do período Kamakura. Neste período, estiveram em conflito duas Cortes Imperiais, a do Norte, estabelecida por Ashikaga Takauji em Kioto, e a do Sul, estabelecida pelo imperador Go Daigo em Yoshino.

A era Nanbokucho foi um pequeno intervalo de tempo dentro do período chamado KAMAKURA (1185-1333). Foi marcado basicamente por uma mudança gradual no poder da nobreza fundiária para os militares nas províncias. Esta época foi um período de grandes mudanças e de transformação dramática na política, na sociedade e na cultura do Japão naquela época.

As eras Kamakura e Nanbokucho foram marcantes para as mudanças que ocorreram na estética não só artística como também em outros aspectos do Japão, inclusive o religioso, com o surgimento de outras denominações de seitas budistas, por exemplo. A sensibilidade altamente refinadas da aristocracia substituída não interessava aos novos aristocratas desses dois períodos. Por isso, algumas mudanças foram implementadas, enquanto outras foram estabelecidas, como no caso, a alcova chamada de Tokonoma. Nesse contexto, que representou um renascimento para o país, temos que os nobres cultivavam a poesia “Waka”, o teatro “Nô” e a cerimônia do chá. O gosto pela estética invadiu os paladares mais finos e ávidos por referenciais e novidades.

Os japoneses são muito tradicionalistas no que concerne à sua cultura. Eles têm muito orgulho do seu passado marcial, como a época em que prevaleceram os Samurais e Xóguns, então ainda hoje há esse aposento em muitas casas japonesas, algumas sendo apenas um pequeno nicho na parede, em um piso mais elevado em relação ao piso do restante do aposento onde está situado, para diferenciar e destacar sua situação.

Os construtores e os donos das residências levam a sério a construção e o correto posicionamento desse pequeno cômodo (ou nicho), escolhendo o tipo de madeira que irá ser usada em sua construção e adorno, a qualidade dessa madeira inclusive, a procedência (se da costa/litoral ou do interior/montanha), os objetos que irão fazer parte da composição e o período em que deverão ficar expostos. Esse nicho, então, tem um caráter singular, pois se trata de um espaço de exibição, onde podem ser mescladas apresentações diversas, como figuras, esculturas, pintura ornamental, desenhos, arranjos florais, bonsai, suiseki, etc.

No período feudal da história japonesa o Tokonoma situava-se na sala principal da casa senhorial, ou do castelo, e ocupava um espaço maior, situado dentro de um grande salão, e era referenciado como se fosse uma alcova. Esse salão do castelo ou da residência do senhor feudal servia ao propósito de reunir seus subordinados, seus pares e seus soldados ou empregados e o proprietário da casa, cabeça do clã, tinha assento e recebia seus convidados ilustres, que tinham o privilégio de sentar-se frente ao Tokonoma. Era uma sala cerimonial, raramente usada no cotidiano, mas apenas em ocasiões formais.

Com o passar dos anos, houve mudanças nos paradigmas sociais, o avanço cultural japonês impôs outros tipos de destaques dentro da casa japonesa, mesmo a mais tradicionalista. O nicho foi substituído por um armário pequeno, onde não caberiam os adornos de antanho. Em outras residências, esse espaço foi mantido ou mesmo preservado, tendo outro idêntico ao lado, usado para acomodar os futon, a tradicional “roupa de cama” japonesa.

O Tokonoma daquele período e mesmo os atuais prescindem de determinadas características para serem construídos. Isso significa que não é algo feito ao acaso, mas que, devido à sua destinação, é cercado de regras e especificações, determinantes na maneira como deve ser erigido e/ou substituído. Isso diz respeito, por exemplo, ao seu tamanho, largura e profundidade. As medidas para sua execução obedecem a um padrão de construção tipicamente japonês, onde as mensuras são seguidas ao pé da letra, não fugindo nem um milímetro das especificações que as determinam.

No site abaixo, alguns tipos de tokonoma:
http://www.lamijapan.com/2011/01/tokonoma.html

Períodos históricos japoneses e principais fatos relevantes:
http://japan.osu.edu/notes/Japanese_231notes.pdf

Recintos do interior da casa tradicional japonesa, tokonoma:
http://yoshihei.052e.com/h-tokonoma.html

Importante: até podemos considerar um tokonoma como um lugar de exibição para um bonsai. Mas não significa que esse nicho tenha apenas essa finalidade. O bonsai, como outro objeto qualquer, pode ser colocado num tokonoma, bem como um suiseki, um vaso vazio, um ikebana, ou qualquer outra forma artística japonesa (kusamono, shitakusa, kakemono, etc.). Adornos antigos, objetos aparentemente sem outro valor que não o sentimental, também tem assento garantido nesse repositório. Podemos encontrar um exemplo claro disso nas imagens que aparecem no link abaixo, onde o objeto da vez é uma imagem do famoso personagem Godzila: http://sinden.blog6.fc2.com/blog-entry-1026.html

É algo tão prosaico hoje em dia, que o dicionário japonês/português (Michaelis) especifica tratar-se: “de um recanto principal da sala-quarto de uma casa japonesa, adornado de Ikebana e pintura”.

A título de comparação, entre os Tokonoma antigos e os atuais, podemos visualizar a nobreza e o requinte, para não dizer sofisticação total, do Salão Ninomaru, no interior do Castelo de Nijo: (período Muromachi – ascensão dos samurais).


Tokonoma moderno:
http://ameblo.jp/show567890/image-11269334631-12009322755.html

No blog japonês, o autor diz que o maior orgulho de sua família está no quarto (alcova) onde repousam antiguidades:
http://tomiyama.mo-blog.jp/photos/katyuu/imgp1541_2.html

Reforme sua casa ou apartamento e coloque um tokonoma nela:
http://omu-service.com/01-reform01.html

A tradução “literal” do termo japonês TOKO NO MA, significa:
Toko – cama, leito
No é uma partícula que significa “de” (posse, pertencente a)
Ma – espaço (entre duas coisas); sala ou cômodo

Sobre Fabiano Costa

Fabiano da Silva Costa, é natural de Florianópolis. Seu contato com o universo do bonsai teve início no Japão, onde morou entre 1998 e 2001. Atualmente é proprietário da Escola Confraria Floripa Bonsai em Florianópolis, SC, onde o espaço varia de escola a confraria, reunindo um grupo de ativistas na arte, influenciando e incentivando a mesma na região.

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